Mercado de sanfoneiras cresce e oferece espaço para mulheres de todas as idades em Pernambuco

Em Pernambuco, as mulheres têm conquistado um espaço cada vez maior junto às sanfonas do tradicional ritmo nordestino do forró, um meio composto, majoritariamente, por homens. Enquanto a sanfoneira Terezinha do Acordeon iniciou a carreira em um tempo no qual mulher tocando sanfona causava estranhamento, a nova geração de forrozeiras conta com representantes que aprendem a tocar o instrumento musical com parentes ou em escolas de música.

Pioneira da sanfona em Pernambuco, Terezinha do Acordeon teve de enfrentar desconfiança e estranhamento no início da carreira. “Aos 15, 16 anos, lá em Salgueiro (no Sertão), o pessoal não botava fé. Primeiro, era estranho. A casa do meu pai enchia de gente pra me ver tocar, eu parecia um E.T., eu ficava até com vergonha. Na década de 1960, imagine& #8221;, relembra.

Realidade completamente diferente da encarada pela estudante Thaissa, de 11 anos, que aprendeu as primeiras notas com o pai, que recebeu os ensinamentos do avô. Para ela, a carreira junto à sanfona parece estar muito menos distante do que foi para Terezinha. “Eu me apaixonei pela sanfona, pela voz, pela letra também. É muito emocionante. É o meu sonho seguir carreira como acordeonista”, explica.

Aprender a tocar sanfona não é pra muitos, já que são poucos os cursos especializados dedicados ao instrumento no estado. No Conservatório Pernambucano de Música, na área central do Recife, o curso existe há oito anos e, dos 17 alunos matriculados, apenas três são mulheres. Para conquistar o diploma, é preciso esforço e dedicação: são até sete anos de estudos para aprender a tocar sanfona.

A estudante Ana Maria Lorena de Paula tem 16 anos e está começando a superar as barreiras que limitam o número de sanfoneiras. “Por ser dificil, por ser um instrumento caro, um instrumento pesado, porém agora está abrindo mais espaço para as mulheres na sanfona”, diz.

Aos 17 anos, Karoline Maciel já pode ser considerada uma veterana. Toca sanfona desde os oito anos de idade, cada dia mais apaixonada pelo ofício que pretende seguir. “Espero aprender cada dia mais e continuar com esse instrumento, independente de outras coisas que eu faça da minha vida, outra formação, mas eu não pretendo deixar a sanfona. Pretendo continuar tocando, fazendo festa, gravando CD. É isso que eu espero”, afirma a estudante.

Abrindo espaço com talento e compromisso, as representantes femininas da sanfona têm agenda movimentada no São João. Em uma apresentação, Karoline toca junto com a amiga Damaris Referino, que vem de Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, para defender a tradição da sanfona.

“Eu sempre digo que eu tenho um dever muito grande de levar sempre a cultura popular nordestina para o mundo. Eu me sinto responsável. Eu faço parte desta família, eu sou sertaneja. Me toca profundamente a arte nordestina, é muito bonito”, enfatiza Damaris.

Mas viver do ofício de cantar e compor forró também é um desafio para as mulheres. A música Marie Nogueira está no ramo há 22 anos e se depara com novas dificuldades a cada dia. “A gente gosta tanto do que faz que a gente vai superando. A dificuldade vai sendo mais um motivo para você persistir”, explica.

Do G1



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