Serra Talhada: família prospera no segmento de bares em Sorocaba

Quem chegou primeiro a Sorocaba foi Manoel Bezerra dos Santos, o mais velho de nove irmãos nascidos no município de Serra Talhada, no agreste pernambucano. Corria, então, o ano de 1982. Depois dele vieram (não necessariamente nessa ordem) Francisco, José (mais conhecido como Leomar), Nivaldo e Sebastião. Outros quatro, faleceram.

E lá se vão 35 anos desde que a família se mudou para cá e prosperou no segmento de bares e mercearias. Hoje, conforme estimativa de Manoel, seriam mais de 100 os estabelecimentos instalados nos quatro cantos da cidade com o nome Serra Talhada. Pelo menos oitenta por cento desse total, ele também calcula, seriam administrados por representantes do clã Bezerra dos Santos.

Se considerados os que não são parentes, a legião local de serratalhadenses soma hoje algo em torno de 500 pessoas, ainda de acordo com Manoel. Mais do que uma marca, Serra Talhada acabou ocupando um espaço no cotidiano de Sorocaba.

Somente na zona oeste, onde foi instalado o primeiro bar Serra Talhada (de propriedade de Manoel) chegam a 40 os empreendimentos, mas eles também podem ser encontrados em todas as regiões (leste, norte e sul). A vocação para o comércio foi herdada pelas novas gerações e hoje filhos, sobrinhos, primos e agregados trabalham com essa atividade.

Manoel lembra que veio para Sorocaba informado que foi do potencial para o trabalho aqui existente pelo cunhado. Montou, assim, o primeiro negócio (um bar) na rua Moreira César, quando a via ainda possuía uma só mão de direção. Os bons resultados obtidos permitiram que ele adquirisse um terreno no Central Parque e ali construísse a sede inaugural da “marca” Serra Talhada, onde se encontra até os dias de hoje.

Nesse tempo, Manoel Bezerra se tornou “Mané Serra Talhada” e alcançou prestígio suficiente para ingressar na política. Disputou várias eleições pelo PMDB, e faltou pouco para que ocupasse uma cadeira na Câmara de Vereadores. “Se eu tivesse disputado em 2016, estava lá”, acredita.

Os Bezerras não têm uma explicação lógica para o êxodo de habitantes de Serra Talhada a Sorocaba. “Deve ser porque a cidade é boa e aqui a gente se realizou”, disse José Claudio Bezerra dos Santos, filho de Manoel. Seja como for, o fluxo migratório entre as duas cidades não parou.

Tanto assim que, curiosamente, muitos dos que para cá vieram mais recentemente possuem algum grau de parentesco entre si, mas anda não se conheceram. Outro comerciante, Josenildo Bezerra (mais conhecido como “Calango”) afirmou que até chegou a ser cogitada uma reunião festiva entre os parentes próximos ou tortos. “O difícil ia ser juntar todo mundo”, avaliou.

Comercialmente, a família não pratica a concorrência por trabalharem no mesmo ramo de atividade. Ao contrário, diz José Cláudio, até ajuda. “Quando alguém vai no meu bar diz que também vai no do meu primo, encontra um diferencial. Ali, tem mesa de bilhar; lá, o outro serve costela. O que conta mesmo é que eles gostam.”

Tradições

Costela? Bilhar? E as manifestações típicas da região nordeste? A buchada? A carne de sol? O forró? Os Bezerras riem das perguntas e afirmam que chegaram a oferecer, nos pontos de venda que comandam, itens da cultura nordestina. Manoel fazia buchada e carne de sol. “Paramos. Quem sabe, um dia, a gente volta a trabalhar com essas comidas.”

Nivaldo, que está à frente de um bar na zona norte, pede a palavra para dizer que em sua casa tem, sim, forró. “Quem quiser, pode ir até lá que vai gostar”, garante. Se o tempo permitisse, os Serra Talhada iriam além na conversa para falar sobre outra referência da terra-natal.

Foi no município, afinal, que nasceu Lampião, o chamado “Rei do Cangaço”. Manoel diz que a história do personagem é muito rica. “Tem tanta coisa prá falar dele que seria necessário outro jornal.” Mesmo assim, os Bezerras contaram que Serra Talhada fica a pouco mais de 400 quilômetros de Recife e tem hoje uma população estimada de 120 mil habitantes.

Trata- se, acrescentaram, da segunda cidade mais importante do Sertão de Pernambuco e o principal município da Mesorregião do Sertão Pernambucano. É, ainda, o segundo município que mais cresce na região. Serra Talhada era uma fazenda de criação pertencente ao português Agostinho Nunes de Magalhães. Recebeu este nome devido ao fato de que perto do local há uma montanha cujo formato dá a ideia de que foi cortada a prumo.

Fonte: Jornal Cruzeiro



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