“O Salgueiro foi uma soma de erros”, diz Sérgio China após o rebaixamento

Sérgio China falou sobre os problemas do Salgueiro no ano (Foto:  Carlos Humberto /Agência Ch )

 

 

 

A derrota de 1 a 0 contra o Remo, no estádio Cornélio de Barros, mandou o Salgueiro para a Série D do Campeonato Brasileiro. Faltando apenas uma rodada para o fim da fase de classificação, o Carcará, com 17 pontos, não tem mais chances de alcançar o Globo, oitavo colocado, que tem 21. Após a partida, o técnico Sérgio China falou sobre os problemas enfrentados ao longo da temporada, que resultaram no rebaixamento do tricolor salgueirense. O time se despede da competição no sábado, fora de casa, contra o Santa Cruz.

– Eu digo em qualquer equipe que eu trabalho, o que eu vejo em outras equipes, dos clubes de alto rendimento de Série A que têm uma postura diferente: se você não se dedicar na semana, se não procurar seu máximo durante os treinos, você não vai conseguir bons resultados. Nós conseguimos fazer isso no nosso limite. Nós fizemos até um certo ponto, porque depois você precisa também de qualidade e quantidade. E o Salgueiro foi uma soma de erros. Eu tive erros, com certeza, o treinador vai ter erros. Quando tu não ganha, quem é o comandante, que está a frente, tem erros, com certeza. Mas, nós não tivemos opções de mudanças, não criamos alternativa para uma equipe que, desde que eu cheguei aqui, teve uma dificuldade financeira. O Salgueiro antes do jogo tinha vendido cinco ingressos, depois vendeu um pouco mais. Todos os jogos em casa o Salgueiro tem deficit para pagar a arbitragem, a direção faz um sacrifício imenso – destaca o treinador.

Durante a entrevista coletiva, Sérgio China frisou bastante nos problemas financeiros do clube. O treinador lembrou que a conquista da vaga na Copa do Nordeste do ano que vem vai ajudar no planejamento do Salgueiro para a próxima temporada.

– Hoje o Salgueiro está na Série D do próximo ano, mas esse mesmo grupo conseguiu fazer com que o Salgueiro tivesse uma sobrevida de, pelo menos, seis meses porque vai ter a receita da Copa do Nordeste que dá pro Salgueiro ter seis meses pra trabalhar o Pernambucano e a Copa do Nordeste.

O número reduzido de jogadores para trabalhar e a falta de contratações ao longo da Série C também foram lembradas por China.

– Então, tem que se rever toda a gestão do clube onde não tem recursos para contratar. Todas as equipes tiveram, contrataram ali no meio da competição. A gente, não, a gente perdeu jogador. Hoje [contra o Remo] eu estava com 17 atletas, com três goleiros. Impossível você criar uma alternativa. Mas, o mais importante que eu disse depois de um resultado negativo, eu falei antes: nós temos que ter a consciência tranquila, cada um tem que ter a sua consciência de que tentou fazer o máximo pra que essa situação não chegasse a esse ponto. Mas, infelizmente, qualquer competição alguém vai cair. Alguém vai cair na B, alguém vai cair na C. Vai ter outra equipe que vai cair junto com o Salgueiro e eu tenho certeza que a outra equipe gastou muito mais ou três vezes mais do que o Salgueiro. Nós não esperávamos, os atletas estão saindo muito tristes, a gente da comissão também, porque a gente sempre faz o trabalho buscando a melhor colocação.

Confira outros pontos da entrevista de Sérgio China

Empates no final do jogo

– Tiveram dois jogos aqu i[ contra Confiança e Globo] que nós levamos o gol no final. Poderíamos ter mais quatro pontos e, mesmo com a derrota, a gente ia brigar na última rodada pela manutenção. A perda da nossa manutenção não foi nesse jogo. O Remo conseguiu evoluir no momento certo, conseguiu grandes vitórias e tem grandes jogadores pra mudar esse momento difícil. Nesse momento a cabeça está difícil assimilar, mas temos que ter a cabeça tranquila porque a vida vai seguir pro Salgueiro, pros atletas, mas todo mundo tem que rever seus conceitos, desde o alto escalação até nós que trabalhamos diretamente no campo.

Sequência do trabalho

No time do Salgueiro a gente tem mais um jogo. Temos que honrar essa camisa contra o Santa Cruz. Tentar fazer o melhor jogo. Jogamos bem contra o Remo, mas só que só jogar bem, é o que eu disse no intervalo, não vale a pena. Nossa equipe tem que ter a vontade de ganhar. Nós corremos muito, mas falta aquele algo mais da finalização, daquele jogador com as características de finalizador, como nós tínhamos o Willian Lira que foi embora, nós tínhamos um atacante, o Erinaldo, que trabalhou, correu, brigou, mas são características diferentes. A minha posição, a ao término, vamos conversar. A direção vai ter todas as condições de, como eu disse, reavaliar toda uma situação. O Salgueiro pro próximo ano, com certeza, vai ser um novo Salgueiro. Tem que ser novos atletas. E, diga-se de passagem, o Salgueiro fez uma transformação muito grande do final do ano passado para esse ano. Perdeu mais de 15 jogadores, fez uma nova equipe pro Pernambucano. Conseguimos a manutenção no Pernambucano que, quando eu cheguei, era o objetivo, conseguimos chegar entre os quatro, brigando pra chegar na final, depois conseguimos uma Copa do Nordeste, que deu um recurso pro Salgueiro pelo menos para os primeiros seis meses do ano.

Apoio ao Salgueiro

– Se a prefeitura não ajudar mais, o torcedor não vir a campo, como era antes, um estádio pra três quatro mil pessoas, que incentivava os jogadores pra depois vaiar, agora é o contrário, vem 500, 600 pessoas que eles vaiam pra depois aplaudir, mesmo a equipe se doando como foi no jogo de hoje. Então, tem que rever. Futebol não pode ser mais amadorismo. Todos que trabalham no futebol, desde o profissional que ganha menos até o alto escalação, tem que ter um conjunto. Infelizmente, nessa trajetória nossa na Série C, faltou esse conjunto, esse entrosamento, esse algo mais para a gente permanecer na Série C.

Do Globo Esporte 


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