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Isolamento social causa queda de arrecadação a prefeituras do interior na Semana Santa

A proximidade da Semana Santa, a partir do dia 4 de abril, ressalta a dificuldade que os municípios que, em situação normal, teriam lucro com o aumento do turismo por conta do feriado religioso. Em menos de um mês de coronavírus em Pernambuco, a pandemia já causa um impacto negativo que deve ser sentido durante bastante tempo, de acordo os prefeitos de Brejo da Madre de Deus e Triunfo, cidades que todos os anos registram um aumento de receita nessa época.

O prefeito Hilário Paulo (PSD), de Brejo da Madre de Deus, ressaltou o adiamento do espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, que ocorre anualmente no distrito de Fazenda Nova. A encenação foi remarcada para o mês de setembro. A cidade não tem casos confirmados para Covid-19, mas está em isolamento social e proibindo aglomerações, de acordo com o decreto do Governo de Pernambuco publicado no dia 27 de março. “Mais de 200 mil pessoas que circulam pelo teatro ao ar livre todo ano, agora não vamos ter mais esse movimento”, lamentou.

“Também deixamos de realizar a Festa de São José, que acontece no mês de março. A falta desses eventos fez a gente deixar de atrair mais de 1 milhão de pessoas para nossa cidade. Só com a Paixão de Cristo são gerados mais de 700 empregos diretos e indiretos, é uma perda de quase R$ 2 milhões para este ano”, continou o gestor. Além da iminência do coronavírus, a cidade do Agreste Central enfrentou fortes chuvas nas últimas semanas, que também causaram prejuízos.

“Nossa economia é voltada muito mais para a agricultura, não temos muito comércio. Só vamos conseguir ter uma noção do impacto em números a partir de abril, explicou Hilário. Segundo o gestor, a prefeitura de Brejo da Madre de Deus preparou um hospital de campanha para receber futuros casos da nova doença, caso seja necessário. “O foco agora é conter essa situação”, disse.

Em Triunfo, no Sertão do Pajeú, o prefeito João Batista (PL) também adiou a encenação local da Paixão de Cristo. Contudo, a peça não deve ser montada em 2020. “Entendemos que é um evento que deve ocorrer na Semana Santa. Não tem sentido fazer em outra data aqui na cidade”, argumentou. Segundo Batista, a Paixão de Triunfo atrai anualmente um público de 5 mil pessoas por noite, em média.

“Nós cancelamos o Festival do Vinho que também atraía um grande público. O impacto no turismo vai ser muito forte, mas infelizmente é o que tem que ser feito nesse momento”, disse o prefeito sertanejo. João Batista contou que desde a última semana que os hotéis de Triunfo não estão recebendo hóspedes vindos de quaisquer outras cidades.

“Reunimos os empresários do setor hoteleiro, que entenderam a necessidade da medida e estão cumprindo a ordem”, afirmou o prefeito, que também fechou bares, restaurantes e comércio de itens não essenciais. “A cidade parou e isso vai gerar um impacto enorme na nossa economia. Vamos torcer para que até julho essa situação se resolva, para que o nosso festival de inverno, o Festival da Juventude, possa acontecer”, disse João Batista.

A situação é semelhante em Gravatá, no Agreste. Na última sexta-feira (27), o prefeito Joaquim Neto (PSDB) anunciou que não ocorreria distribuição de peixes para a população. O administrador municipal argumentou que não teria como fazer a ação sem aglomerar pessoas. A prefeitura planejava distribuir 18 toneladas de peixe durante a Semana Santa. A cidade também está em isolamento, apesar de não ter registro oficial de casos da Covid-19.

Em Pernambuco, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, até o momento foram confirmados 87 casos de infectados pelo novo coronavírus. Desde o primeiro registro, no dia 12 de março, morreram seis pessoas. Outras 14 se recuperaram da doença. No Agreste, apenas Caruaru e Belo Jardim registram casos da Covid-19. No Sertão, Petrolina e Ipubi têm pacientes com a nova doença.

Do Diário de Pernambuco

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